sexta-feira, 5 de abril de 2013
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O adeus do General "sem" biografia
“Journalism is the first rough draft of history” - Phillip L. Graham
Morreu na manhã de hoje na Clínica da Sommerschield, a escassos metros da sua casa e da sede da Frelimo, na Rua da Frente de Libertação de Moçambique, o temerário General Bonifácio Gruveta Massamba.
Polémica ou não, o facto é que essa postura recente do General é reveladora de quão ele pretenderia Contar A Verdade, na sua versão, claro!, se o seu tempo de vida lhe tivesse permitido biografar ou autobiografar a sua existência e seu papel na construção de Moçambique.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Problemática de Habitação no País: o “efeito Casa Jovem” ou a oportunidade (perdida?) de tirar o génio da garrafa
"O mundo em que vivemos não herdamos de nossos pais, mas nos foi emprestado por nossos filhos." (provérbio africano)
- Não é, ou pelo menos não deveria ser, vocação do Governo e nem do Fundo de Fomento de Habitação andar a construir casas, mesmo que em massa
- O País não se pode dar ao luxo de andar a endividar-se à China, com factura para as futuras gerações, para apenas resolver o problema da pressão demográfico-habitacional em certos bairros de algumas cidades
- O Governo revela, com estas empreitadas, que a iniciativa privada do jovem Erik Charas de “Casa Jovem” está a fazer-lhe mossa, ou, para dizer em linguagem djo: o Executivo está com djelass!
- Falta Imaginação a este Governo ou, no mínimo, os libertadores da pátria apagaram da memória a Utopia
- A autarcização gradual, a bancarização crescente do País e a demonstrada capacidade e heroísmo dos moçambicanos em auto-construções são a onda que o Governo devia aproveitar para potenciar cadeias de valor, cadeias de distribuição e propiciar economias de escala
Nota prévia: Sou um completo leigo em economia e negócios, pouco entendo de matemática e estatística e não fiz nenhuma pesquisa de especialidade nem consult(ori)as para este artigo. Este texto surge de uma simples tusa de jovem sem casa, mas e sobretudo de um cidadão preocupado com o bem (estar) comum: no caso, problemática de habitação. Não serve, de modo algum, de advertência, desculpa ou justificativa para a minha ignorância, tão só para perceberem como um jovem stakeholder olha para a questão com olhos de sentir. Em duas palavras: com senso e sensibilidade.
Tese1: O lançamento do projecto de 5 mil casas no Bairro de Intaka, no Município da Matola, província de Maputo e o anúncio de mais 5 mil casas para pelo menos 5 províncias ao longo do País constituem uma meia-boa notícia para a problemática de habitação no País. Sim, disse meia-boa notícia ou, se quiserem, quase boa-notícia, por razões que adiante explicarei.
Tese 2: Esse lançamento e o adicional anúncio de mais 5 mil casas pelo país, depois da construção das apetecidas casas da Vila Olímpica, no Bairro de Zimpeto, Município de Maputo, revelam que o Governo Moçambicano está a sofrer uma espécie de “efeito Casa Jovem”. Sim, apesar de ainda não estar concretizada, a iniciativa privada do jovem empreendedor e investidor em capital de risco Erik Charas fez claramente mossa no Governo no que a uma política e sua estratégia de habitação diz respeito.
Dizia, na Tese 1, que aquelas boas novas (5 mil casas em Intaka; mais futuras 5 mil pelo país) não passam de meia-boa notícia porque, cá por mim, não é vocação do Estado andar a construir casas para os cidadãos, por mais carenciados que a maioria dos moçambicanos e sobretudo nós os jovens estejamos (incluo-me neste grupo, pois, desde que me casei há 4 anos, já vivi em pelo menos 3 casas e estou a preparar-me para me aventurar na heróica/hercúlea auto-construção).
Corre, o Governo, o risco de desgastar-se de projecto em projecto ou então de andar a endividar-se em cadeia, perdendo por isso o norte e uma oportunidade de resolver um problema acrescentando valor à economia nacional.
É que, não sendo Moçambique um país superavitário em termos de finanças como uma China e nem abonançado de recursos como uma Angola, ir buscar dinheiro e empreiteiros à China para minimizar o problema de habitação em zonas de pressão urbana e imobiliária como Maputo e Matola, a troco de mais dívida para as futuras gerações não é, de forma alguma, a forma mais inteligente de resolver, de vez, a problemática de habitação.
Se o Governo olhasse com olhos de ver para o parque habitacional do país, sobretudo nas zonas urbanas, haveria de notar que muitos dos condomínios e bairros habitacionais que resultaram de iniciativas de auto-construção são uma prova de capacidade interna de construir. Disse CAPACIDADE INTERNA!
Ao invés de andar a endividar-se (com a factura da dívida para as futuras gerações) junto da China amiga a fim de construir vilas olímpicas e alguns bairros habitacionais nas cidades de maior pressão demográfico-habitacional, o Governo deve ter uma imaginativa política de habitação que estimule a economia nacional, que potencia a criação de CADEIAS DE VALOR e CADEIAS DE DISTRIBUIÇÃO e que propicia a materialização de ECONOMIAS DE ESCALA para um verdadeiro boom imobiliário-habitacional num país cada vez mais urbanizado.
Vamos lá então explorar estes conceitos, de molde que, na minha leiga proposta, se entenda o que sinto que deve ser uma efectiva política de habitação de desenvolvimento.
Em primeiro lugar - questão cara em economia - não é preciso manipular ou extrapolar estatísticas demográfico-habitacionais para se saber que há PROCURA em overdose para provocar OFERTA em orgasmos múltiplos sustentáveis por pelo menos três gerações (digamos, 25 anos intensos de super construções estrategicamente alinhadas para resolver de vez o problema de habitação para uns 100 anos à frente).
No meu ponto de vista, a capacidade interna de empreiteiros, engenheiros, arquitectos, construtores que vêem provando pelas várias iniciativas de auto-construção ou de projectos de consórcios/cooperativas de condomínios está em potência para o efeito multiplicador como a terra arável está para a fertilidade. Esta capacidade interna exponenciada pode ser aliada à existência de vasta matéria-prima pelo país, qual tijolo e argamassa para a aplicação de tecnologias de construção num ambiente de expansão da indústria de construção em linha com à autarcização gradual (queira-se urbanização planificada e ecologicamente sustentável) e bancarização crescente do país.
Uma política de habitação alinhada ao estímulo para a industrialização e para a comercialização interna, a qual permita que os municípios, os bancos, as construtoras subsidiadas explorem o filão da PROCURA com uma OFERTA cada vez mais massificada e competitiva, proporcionaria um mercado cada vez mais justo e acessível para todos os bolsos, permitindo uma fluidez e regeneração de recursos – receita para uma autêntica era dourada da construção e da habitação para todos.
Com tanto país por municipalizar, com tanto banco por expandir pelo país, com tanta casa por construir, com tanta matéria-prima por processar, com tanto espaço e tempo para se expandir uma indústria de construção, com tanto mercado de comercialização por criar, imagine-se quanto emprego e empresariado nacional não se vai criar/consolidar, imagine-se quanto dinheiro não vai fluir pelo país por pelo menos 25 anos seguidos.
Ao invés de procurar concorrer com e ofuscar o projecto “Casa Jovem”, numa demonstração clara e inequívoca de espírito-djelass como motivo-condutor para estas 10 mil casas - qual panaceia para a mossa que certamente lhe provocou a ousadia do utópico Erik Charas - este Governo não deveria procurar asas para voar em (l)imitadas iniciativas-cópia de carbono da angolana Kilamba Kyaxi.
Quando se trate de políticas públicas, de projectos com nome próprio de Juventude e apelido de Futuro, sobretudo em sectores capazes de tirar dos manuais de economia para a realidade conceitos como CADEIA DE VALOR, ECONOMIA DE ESCALA, DESENVOLVIMENTO exige-se do Governo IMAGINAÇÃO, GOLPE DE ASA, UTOPIA. Falta Imaginação a este Governo ou, no mínimo, os libertadores da pátria apagaram da memória a UTOPIA.
E UTOPIA, caros patrícios, não é pregar o Combate à Pobreza e nem proclamar o Direito de Sermos Ricos. Isso é tão óbvio como ressuscitar La Palisse.
Esta ideologia Guebusiness de jogar ao Cavalo de Tróia (entenda-se, trazer a China a nós) está sinceramente a deixar o Governo sem golpe de asa, o Estado altamente endividado para memória futura, o Tesouro sem estofo para novos serviços da dívida e está tão só a transferir o aluguer da nossa soberania económica do colonialismo doador ocidental para o amigo chinês imperial.
Se, através do Fundo de Fomento de Habitação, quiser intervir directamente no processo, ao invés de correr a endividar-se pela China e (de)legar às futuras gerações mais cheques de infindáveis zeros no traseiro, o Governo devia transformar o FFH numa empresa pública (SA, LLC ou seja lá o que for) cotada em bolsa na nossa BVM e devia emitir/vender milhões de bonds e securities por via das quais se associaria/subsidiaria aos municípios e ou bancos para que estes por sua vez sustentem essa época dourada da construção habitacional no país.
Isso, caros patrícios, seria tirar o génio da garrafa!
PS: Enquanto escrevia este texto, provocado pelo pomposo Telejornal da TVM de ontem, apareceu-me na RTP-África um desconcertante documentário “Ser Dreda É Angolano”. Vi ali, caros patrícios, o espírito mwangolê em expressão pura, crua e nua e assomou-me o xipoko de Craveirinha – sim, o nosso poeta-mor!
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
A Migração Digital em Moçambique: uma reportagem investigativa do CIP
A reportagem investigativa, que o CIP publica agora na sua Newsletter, revela em como o Governo de Moçambique joga dois papéis, no cruzamento entre o interesse público e os interesses privados (de puro negócio) em torno do processo.
A reportagem faz ainda uma incursão aos contornos do negócio da StarTimes, operador privado que tomou a dianteira do processo de migração digital em Moçambique, suas conexões político-empresariais e seu modelo de negócio em África.
Leia na íntegra a matéria, na Newsletter do CIP, através deste link directo: http://www.cip.org.mz/cipdoc/98_CIP_Newsletter11.pdf
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Wikileaks: Novos Telegramas Diplomáticos Americanos de Maputo
Os "cabos" podem ser vizualizados directamente por este, digamos assim, wikilink:
http://wikileaks.org/origin/94_0.html
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Governação Electrónica ou uma PARVADA DE PATOS QUE NÃO VOAM!?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Se o patrício Hama Thay é "SMUGGLER", posso ser "DRUG KINGPIN"?
CAMINHOS PARA A INVESTIGAÇÃO JORNALÍSTICA
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
terça-feira, 27 de julho de 2010
@Minha Verdade II:Jornalismo de Investigação, sexo dos anjos e “política de abutres”
De repente, fruto de grandes descobertas feitas à luz das intervenções dos palestrantes/oradores dos seminários sobre Jornalismo de Investigação promovidos na semana do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a não atribuição do Prémio Carlos Cardoso provocou um sub-debate.
Será porque não houve distinguido ou porque nenhum dos concorrentes conseguiu levar a mola para casa? Ou seja, perguntando de outro modo, será pela honra ferida da classe ou porque não saiu a “mola”?
Uns defendem que não havia qualidade suficiente nos trabalhos concorrentes; outros culpam as redacções por não dedicarem recursos ao jornalismo de investigação; outros ainda clamam por acções de formação sérias e instituição de fundos de apoio a investigação; e outros mais alinham no diagnóstico de uma das consciências morais da intelectualidade nacional, o biólogo, escritor e ex-jornalista Mia Couto: mais do que falta de um jornalismo de investigação a sério, há falta de qualidade no jornalismo em geral.
Nós, os mesmos que caímos na tentação da “democracia da opinião” e instituímos grandes “opinion makers” em colunas de jornais, debates radiofónicos e de televisão, corremos agora a culpar uma figura abstracta: o contexto, a situação, o ambiente.
Em minha verdade, julgo estarmos senão a fazer uma autópsia criativa, não em busca da verdadeira razão-culpa e dos culpados da morte do jornalismo de investigação em Moçambique. Sim, falo de morte, porque para mim o Jornalismo de Investigação morreu com o assassinato de Carlos Cardoso.
Não porque Carlos Cardoso fosse o senhor absoluto e fiel depositário do jornalismo de investigação em Moçambique. O facto é que com a morte de Cardoso nasceu o medo, ou escudamo-nos no medo para criar um “status quo” em que, progressivamente, se auto-desestimulou a prática da investigação jornalística no País, qual suicídio.
E quem matou o jornalismo de investigação? Fomos nós, os jornalistas, quando enterramos Carlos Cardoso e estigmatizámos o Marcelo Mosse - assim como a sociedade fazia, até meados, dos anos 90 com os seropositivos.
Sim, porque após a morte de Carlos Cardoso foi este seu discípulo quem, de forma sistemática e consistente, dedicou-se a trabalhos de investigação jornalística, enquanto a tal de inveja tipicamente nossa campeava e tratou de o tomar por “encomendado” e propiciou que à sua volta não florescessem, salvo raras excepções, outros cultores da “cardosiana missão” de investigar, com método e objectividade dignos desse nome de jornalismo.
Na vaga de fundo deste debate pródigo de uma discussão do sexo dos anjos reside senão um “lobby” por novos fundos de doadores, como se isso fosse a panaceia para o jornalismo de investigação em Moçambique – assim como já houve um fundo para o desenvolvimento dos media patrocinado pela UNESCO que deu no que não deu…
Espero, sinceramente - que, tal como depois da estigmatização dos seropositivos e da seropositividade em Moçambique - não haja uma epidemia, quero dizer, pandemia de soluções e estratégias para viabilizar o Jornalismo de Investigação em Moçambique através de mundos e fundos que alarguem os bolsos e bolsas, permitam principescas mordomias e propiciem acumulações especulativas de capital …e no final o Jornalismo de Investigação volte à estaca zero (onde estamos hoje), depois de alguns “anos dourados” de financiamentos, formações, galardões.
Não que eu seja contra tais iniciativas, antes pelo contrário, sou bastante a favor, até me coloco na linha da frente. Mas, antes dos fundos e das bolsas de investigação e de formação, há que se firmar compromissos sérios, individuais e colectivos, de quem realmente quer fazer Jornalismo de Investigação EM NOME DA VERDADE, PELO INTERESSE PÚBLICO.
É que, verdade seja dita, a promessa de novos fundos neste país é como a descoberta de um cadáver ainda fresco no deserto, os abutres são sempre os primeiros a sentir o cheiro e a fazer a festa.
PS: Como minha humilde contribuição ao debate, em breve publico o meu MANIFESTO PELO JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO EM MOÇAMBIQUE.
@Minha Verdade I: Do valor das indústrias culturais
Queria escrever sobre campanhas e “ways of working” (maneiras de trabalhar), duas questões que me são muito caras, não só porque delas retenho das maiores lições aprendidas e apreendidas em dois de meus anteriores e, como sempre, edificantes empregos: no Jornal Savana, de 2004 a 2006 e na ONG Internacional Oxfam, de 2006 a 2009.
Vou deixar, para melhor reflexão, esse assunto, prometendo que em próximas ocasiões direi de minha verdade mais profunda e aprofundadamente.
Decidi escrever sobre uma questão incontornável neste país, mas que passou como que despercebida, pouco comentada por estes dias, quanto mais não seja para vos recomendar como leitura.
Semana passada, o Director do recém-criado Instituto Superior de Artes e Cultura (ISAC), Filimone Meigos, deu uma interessante entrevista ao suplemento Cultural do Jornal Notícias, numa conversa agradável com o meu camarada de ofício Gil Filipe.
O multi-facético Filimone Meigos (é académico, já foi militar, jornalista, actor, é poeta, escritor, filósofo…enfim!) procurou tanto desmistificar essa visão preconceituosa de cultura circunscrita e reduzida às manifestações artísticas como nos enaltecer do valor da cultura, das indústrias culturais – enfatizando mesmo a sua contribuição para o PIB.
A entrevista deu-nos também a perceber da importância estratégica do ISAC para o futuro: formar quadros que saibam gerir a indústria da criatividade e das artes, como um “business” e sector de actividade económica que dê realmente uma nova fonte de receitas para o fisco.
Pois aqui está a primeira questão que pretendo discutir, em termos de criação de políticas culturais. Tudo bem, já se começa a materializar uma política cultural na formação de quadros gestores (empresariais queira-se) dos criativos e das criações pródigas da nossa cultura.
Mas uma política cultural sobretudo deve ser uma visão de conjunto, deve ser melhor que a soma das partes: lei do mecenato (moribunda) aqui, reconhecimento de direitos dos autores ali, festivais de cultura acolá, prémios e incentivos monetários além…etc
Uma visão de conjunto da política cultural deste país passa por definirmos, de uma vez por todas, todo esse mosaico que nos caracteriza como seres culturais genuinamente moçambicanos.
Passa por documentar, registar, catalogar e valorizar todas as manifestações que nos identificam como Moçambicanos e que nos tornam únicos no Mundo. Passa por uma política de marketing que traduza em produtos culturais essas manifestações identitárias do nosso ser e estar, defina a(s) devida(s) praça(s) ou mercado(s) para a sua promoção assim como estabeleça uma estratégia de preços que coloque tudo o que produzimos numa balança e sob um selo de qualidade que nos torne competitivos no mercado global.
Uma visão estratégica do que somos e que queremos que sejamos neste mundo globalizado, dos twitters, dos facebooks, dos blogues, dos You Tubes, emailing passa por conceptualizarmo-nos como produto cultural, definirmos metas a atingir, objectivos por superar, tácticas claras e meios certos para o fazer, fases por cumprir e estabelecer parâmetros de seguimento e avaliação.
Resumidamente, transformarmos o nosso mosaico cultural em Indústrias Culturais passa por aprendermos a lição da história: conhecer o nosso passado, perceber o nosso presente e projectar o nosso futuro.
Sem dogmas, sem preconceitos, sem tabus do que fomos e somos há que assumirmos o desafio há anos lançado pelo nosso filósofo Severino “Mukatchane” Ngoenha: Por Uma Dimensão Moçambicana da Consciência Histórica.
Se combinarmos o saber cultural com uma visão de negócio, “fifty-fifty” sem que um anule o outro, aí sim, poderemos combater verdadeiramente a ditosa pobreza absoluta que habita em nós…
Por isso, eu vou voltar a ler e reler Filimone Meigos e convido-o também a fazê-lo e, se quiser, em outra ocasião e aqui como em outro lugar poderemos discutir sobre “QUEM SOMOS NÓS?”
“Meninos de Ninguém”, “República de Mininus”?
@Minha Verdade: Dos tempos da filosofia aos tempos da diversão
Não meus caros, o Moçambique 2.0 de que vos falo é uma tentativa, uma exigência política por um país de debates, um país que debate ideias, que debate em prol do seu desenvolvimento, que pensa, que exerce o senso crítico...um país “cópia de carbono” do Partido FRELIMO: que faz crítica e auto-crítica como fonte da sua constante reinvenção e motor do desenvolvimento.
Esse país, não tenhamos dúvidas, é tanto produto como reprodutor dos debate-papos de barraca, das conversas de café, dos debates no MoçambiqueOnline, dos fóruns de chats e da blogosfera nacional. É um país excessivamente jovem quanto efervescentemente juvenil.
É um país 2.0 que se pretende a Grécia (no inglês, TO PRETEND quer dizer FINGIR, se me faço entender…); não a Grécia pós-moderna, de hoje, falida económica e financeiramente; mas a Grécia antiga e clássica da Ágora, a Grécia de Platão, de Sócrates, de Aristóteles.
Moçambique 2.0 é um país virtuoso, o do ÓCIO GREGO, que transforma os círculos de bebedeiras (e lucram as cervejeiras!) no verdadeiro “espaço público”, de diversão da opinião pública, de pura diversão das massas, como pão e circo… enquanto as elites exercem o NEGÓCIO ROMANO, o das ma$$as.
No Moçambique 2.0 há liberdade de expressão quase sem limites, que permite todos exercerem a sua opinião, dando a cara ou como anónimos, seja por pseudónimos. No Moçambique 2.0 debate-se muito, nas plateias das televisões, por linhas de SMS, nas páginas de opinião de jornais, nos blogues e fóruns online…pode-se acusar, caluniar, mentir, difamar, insultar… Enfim, é a democracia da opinião!
O Moçambique 2.0 é o tal, segundo Ungulani Ba Ka Khossa, que “enferma do síndrome de permissividade” de todos darem a sua opinião. Paradoxalmente, nesse Moçambique o acesso público à informação é a filha da…MARIA IMACULADA DOS SANTOS.
Quiçá, para alimentar o espírito empreendedor e a capacidade produtiva (produção e produtividade) deste Moçambique 2.0, o “establishment” (qual Estado-Providência) forneceu duas novas matérias-primas: Geração da/de Viragem e Empreendedorismo.
Neste Moçambique 2.0, ser ou não ser da Geração de/da Viragem é que é A Questão. Neste Moçambique 2.0, há escolas universitárias públicas de empreendedorismo, políticos dão palestras sobre empreendorismo, no discurso oficial é um imperativo nacional constar a palavra empreendedorismo, há cursos de verão de e sobre empreendedorismo (que surgem aos cogumelos como as escolas de inglês – lá está uma nova iniciativa empreendedora).
Chegados aqui, caros patrícios, o “métier” obriga-me a dizer d’@ minha verdade:
1. Desconfio muitas vezes que o que dizemos que somos, que estamos a fazer, não passa daquilo que no inglês se designa de WISHFUL THINKING (por favor, não me peçam para traduzir esta, remetam à comissão nacional de tradutores que está a domesticar todos os documentos importantes que nos trarão benefícios por fazermos parte da Commonwealth…)
2. Não me lembro de quem é, talvez da sabedoria convencional, mas há uma citação que me ocorre sempre, segundo a qual: “quando se fala sempre de algo, é porque há escassez aguda disso”.
3. No Moçambique 2.0, a opinião é o ópio do povo…
